Alguns podem estar se
perguntando: de que forma o pai pode influenciar diretamente no processo de
aprendizagem de seu filho? Não cabe a escola garantir um ensino de qualidade
para que qualquer criança aprenda? Se meu filho não aprende, ele não tem um
distúrbio neurológico? Apesar de alguns autores apontarem como principais
causas do fracasso escolar estarem relacionados com a desnutrição e as funções
neurológicas (Collares e Moysés, 1996; Patto, 1990, e Ragonesi, 1997 apud Fonseca, 2009), a literatura revela
uma imensa influência que exercida pelos pais, enquanto função nesse processo,
e alguns autores psicanalíticos consideram o fracasso escolar como um modo de
defesa do aparelho psíquico, levando a criança a uma inibição intelectual, ou
seja, a construção do sintoma do não-aprender.
A aprendizagem pode
ser definida como uma articulação entre o conhecimento e o saber, como sendo o
processo de integração e de adaptação do ser humano no seu ambiente. O
conhecimento constrói-se de forma impessoal enquanto que o saber constrói-se a
partir da relação com o outro, de forma pessoal, por meio da experiência
vivida. Portanto, o vínculo entre docente e discente é fundamental para que
ocorra a aprendizagem. Este ambiente se dá de forma circular, dentro de um
espaço onde haja confiança, respeito e estima. (Weil, 2004; Wrege, 2008; apud Silva, 2010).
A
família é primeiro ambiente de socialização da criança e onde ela encontra os
seus primeiros docentes, a mãe e o pai. Assim sendo, fica clara a importância
de estudarmos as relações familiares quando pensamos em dificuldade de
aprendizagem.
Quando consideramos a
relação pai e filho na construção da aprendizagem, percebemos que ausência da
figura paterna traz consequências importantes na aprendizagem, uma vez que os
pais são personagens significativos na vida das crianças. A criança precisa se
sentir segura para despertar a curiosidade, porque sem segurança a curiosidade
pelo novo pode assustar-se. Também precisa entender que errar faz parte da
aprendizagem e que se faz necessário passar por essa experiência, e que crescer
não significa que haverá inversão de papéis, porque precisamos desenvolver
diferentes habilidades, comportamentos e passar por diferentes fases para
sermos adultos (Silva, 2010).
Em famílias nas quais o pai se encontre ausente ou aquelas em
que os pais apresentavam pouca interação com seus filhos, percebe-se maior
associação com desempenhos pobres em testes cognitivos. (Shin, 1978 apud Andrade e Barros, 2009).
O pai representa para a criança um
principio de realidade e de ordem na família, auxiliando-a a desprender-se da
mãe facilitando sua passagem do mundo da família para o da sociedade. Assim,
será permitido o acesso à agressividade, a afirmação de si, a capacidade de se
defender e de explorar o ambiente. A proximidade do pai permite que a criança
sinta-se mais segura em seus estudos, na escolha de uma profissão ou na tomada
de iniciativas.
Por
outro lado, sua ausência tem potencial para gerar conflitos no desenvolvimento
psicológico e cognitivo da criança, bem como influenciar o desenvolvimento de
distúrbios de comportamento, alem de interferir na representação mental da
aprendizagem podendo contribuir para o rebaixamento do desempenho escolar.
(Muza, 1998; Corneau, 1991 e Eizirik e Bergamann, 2004 apud Benczik, 2011; Andrade e Barros, 2009)
E a escola, qual sua função? Qual
seu papel na aprendizagem? A escola, dito por Ferrari (1999) tem a função de
romper o cordão umbilical, sendo o momento em que a criança entra em maior
contato com o mundo real. Os fracassos escolares e os problemas de aprendizagem
e de relacionamento com os outros tem como base, segundo o autor, em situações
familiares.
As
dificuldades de aprendizagem podem produzir diferentes sintomas, como
desatenção, inabilidade na linguagem e conceitos matemáticos não assimilados. A
intensidade do conflito dependerá de vários fatores, entre eles, da disposição
do sujeito em valores superegóicos, dos desejos não realizados e da tolerância à
frustração que a realidade impõe que, se for insuficiente, dificultará o ato de
aprender, sendo que todo aprendizado é necessariamente acompanhado de uma dose
de frustração, pois implica em abrir mão de muitos desejos para se debruçar no
fazer e refazer necessários a construção de conhecimentos. (Rodrigues, 2010)
Não
há duvidas de que os filhos precisam muitos de seus pais, e que a família, por
sua vez, precisa estar e se fazer presente, sem delegar a outros suas funções,
principalmente no processo de aprendizagem.
Na
prática diária, a criança se prepara para a vida. Cada nova situação exigirá um
tipo de resolução e a criança buscará soluções a partir de suas experiências,
seus modelos e exemplos. Sendo assim, tudo que a criança constrói e produz tem
um significado e valor porque, no momento que inventa, cria e descobre, ela
aprende.
A
modernidade trouxe uma série de mudanças, principalmente na família, mas tais
mudanças não isentam a instituição familiar e seu papel educador principal,
almejando o desenvolvimento e integração de seu filho à sociedade. A família é
primordial para o desenvolvimento do sujeito, independentemente de sua
estrutura, porque o indivíduo tem seus primeiros contatos com o mundo externo
no meio familiar, incorporando linguagem, valores e hábitos. Aprender através
do outro e de suas experiências permitirá a criança internalizar sentimentos,
afetos, informações e conhecimento. Assim, esta convivência com os pais, quando
saudável, é fundamental para que a criança se insira nos diferentes meios de que
fará parte, em particular do meio
escolar.
Raquel Formigoni Dias
Neuropsicóloga
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Muito Bom!
ResponderExcluirParabens raquelis!!! Mto mtoo bommm!! Boa sorte nesse novo projeto!!!!
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